domingo, 16 de agosto de 2020

Sobre finais inconclusos

Quando os leitores reclamam de escritores (as pessoas que compuseram os escritos) que fazem finais inconclusos (sejam felizmente ou infelizmente inconclusos) é porque existe algo a mais no escritor (enquanto composto do que é lido) no papel que desempenha para o fenômeno literário.

É que o leitor ao compor sua leitura usa o escritor como testemunha do fato literário. Portanto, o final inconcluso é não apenas ausência do escritor, mas sua ausenciação. O que modifica a experiência literária para além de uma mera aindanidade ou reticência, seja essa trágica ou cômica e talvez por isso mesmo se faça uma tragicomédia tensa que deixa tanto a face de tragédia quanto comédia (seja a comédia da felicidade ou do rir) a se definir.

Entretanto, nisso fica evidente outro aspecto: Que o escritor que faz finais inconclusivos possa ter o leitor que compõe a leitura como elemento da composição do objeto legível.

Seria essa então a possibilidade e potencialidade da literatura? Essa relação de escritor e leitor que vai se transformando e se mantendo transgeracionalmente?

Eis as questões...

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